“Reimposição do machismo na política”

Violencia_machista_3

De Paul Lowry – <a rel=”nofollow” class=”external free” href=”https://www.flickr.com/photos/paul_lowry/3776493681/”>https://www.flickr.com/photos/paul_lowry/3776493681/</a&gt;, <a href=”https://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0&#8243; title=”Creative Commons Attribution-Share Alike 2.0″>CC BY-SA 2.0</a>, <a href=”https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=19922059″>Enlace</a&gt;

Amigos, permito-me ter um pouco de esperança nessas horas que antecedem a votação.

Mas seja qual for o resultado, o Brasil estará marcado para sempre por essa divisão e pela mancha do fascismo entre os nossos parentes, amigos e colegas. Que dolorido saber que as pessoas ao nosso redor têm valores tão diferentes dos nossos! Que decepção sem tamanho! E que tapa na cara ao acordar para a realidade de que o Brasil é muito mais atrasado do que pensávamos.

Um país que não é parte da família dos países democráticos liberais do mundo, mas apenas um país marcado por séculos de colonialismo, de escravidão, de genocídio indígena, de exploração dos recursos naturais e das pessoas. Um país autoritário por natureza.

Durante a primeira década desse século, eu tive a ilusão que o Brasil estava propondo o novo e apontando uma direção para os nosso irmãos latino-americanos. Mas essa senhora me perguntando sobre o plano do PT para impor o comunismo no país, essa senhora que provavelmente é letrada, vê televisão, tem parentes e amigos, e ainda acredita que alguém quer impor o comunismo no Brasil… é de partir o coração. Ao lhe explicar que isso não era verdade, eu percebi o quanto a realidade foi deslocada, rasgada, distorcida. O fato de que tenhamos de defender Haddad, um homem inteligente e direito, frente a um completo idiota, enriquecido na política, mas com a cabeça ainda em 1964… O fato de ter que afirmar que o plano do PT não é “transformar o Brasil numa Venezuela” para pessoas que frequentaram uma universidade….tudo isso é inacreditável!

Somos um país machista, autoritário, ressentido, explorador e com complexo de inferioridade.

Durante um tempo, creio que vimos como o deslocamento da política masculina-tóxica poderia nos levar a um país “do futuro”. Mas o Bolsonaro, para mim, foi mais que nada a reimposição desta política do macho truculento e infantilizado que caracteriza o Brasil. Porquê infantilizado?

Que homem de verdade grita bravatas, gosta de armas e uniformes, humilha as mulheres, desrespeita o debate, recusa-se a conversar? Isso é um machismo primitivo, burro e pequeno, infantilizado. Um homem não tem medo de seus sentimentos, não tem medo de ver numa mulher sua igual, não tem medo de conversar, é sereno sobre a sua masculinidade. Bolsonaro vive num mundo escuro, permanentemente ameaçado por gays e mulheres fortes. Bolsonaro sente-se tão ameaçado por estas forças que quer destruí-las a qualquer custo.

E metade da nossa nação não vê problema nenhum nisso: é uma metade que acha normal ver mulheres, crianças, gays, negros, trans e outros “diferentes” como “inferiores”. Como é triste ver homens e mulheres misóginos e homofóbicos. O machismo tóxico infelizmente não é privilégio dos homens, como nós sabemos.

Eles têm muito medo de nós.

Por isso vamos permanecer confiantes no nosso poder para promover a mudança positiva. Vai ser agora, mas se não for, não há problema, vamos continuar. Se eles acham que carregar armas é a solução, eu acho que escrever livros vai surtir mais efeito.

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